Entrevista com DJ Silver (Residente The Pub)

silver

Com seu estilo “Diva” de mixagem, performances e scratchs, DJ Silver arrasa nas pick-ups levando sempre o público a loucura e ao frenesi. Já com onze anos de carreira, o DJ mais querido das pistas de Goiânia, revela ao Blog O Confessionário como tudo começou e seus projetos para o futuro.

O Confessionário: Silver, quando surgiu sua paixão pela música e como isso contribuiu para se tornar um DJ?

Silver: Bom, vasculhando as lembranças, acho que desde os 7 anos gosto de música. Quando completei 13 anos ganhei meu 1º LP e 5 meses depois nasceu minha paixão e minha coleção de vinis. Durante anos, gastei toda a mesada comprando discos. Por conta disso, sempre que tinha alguma festinha na vizinhança, ao invés de dançar e ´paquerar’ junto com meus amigos, ficava o tempo todo mexendo no som. Mas a grande contribuição veio mesmo através dos DJ’s da época, quando comecei a fequentar boates, aos 17 anos. Ficava grudado nas cabines de som, prestando atenção em tudo que os DJs faziam.  Anos mais tarde fiz um curso de DJ e deu no que deu, rs.

O Confessionário: É verdade que o cantor Roberto Carlos te influenciou de algum modo na infância a ser um Dj?

Silver: Essa historia esta no meu release e por isso é bem resumida. Não digo que ele me influenciou na carreira de DJ mas, com certeza colaborou bastante para minha paixão por musica juntamente com meu pai, já que a coleção do Roberto Carlos era dele.

O Confessionário: Você tem onze anos de carreira como DJ, antes disso o que fazia?

Silver: Na verdade completei 11 anos dia 12 de agosto passado. Antes e até durante um tempo já como DJ, era funcionário público. Trabalhei nas secretarias da Administração e da Fazenda. Com o passar do tempo não consegui conciliar serviço, faculdade e noite e, então, decidir sair do Estado.

O Confessionário: Fez algum curso de Dj? Explica para gente como isso funciona?

Silver: Em 1992 fiz um curso com o DJ Kojak. Foi numa boate na av. 85, que não  lembro o nome, e éramos uma turma de 7 alunos. O curso foi em vinil porque naquela época não existia CDJ ainda. Não sei como são os cursos hoje em dia, mas nesse foi ensinado desde ligar o som a noções de mixagem. Porque o saber mesmo, vem com a prática. 6 anos depois, já trabalhando no Jump, fiz um outro curso de reciclagem, com o mesmo DJ, para pegar as manhas do CDJ.

O Confessionário: Como você vê o Dj Silver atualmente em relação ao Dj Silver no começo da carreira?

Silver: Pode-se dizer que são 2 Silvers totalmente diferentes um do outro, mas com a mesma essência. Não posso condenar o Silver Jump, porque eu tocava o que fazia sucesso e o boom daquela época era o vocal mais barulhento e nervoso, do qual muitos dizem ate hoje, bate-cabelo ou drag hits. De lá pra cá, a musica evolui bastante e passamos pelo boom do house mais sofisticado, do electro e eletrotrash que resgatou muito dos anos 80, do tribal que modernizou bastante as pistas de dança e, do eletrohouse que veio pra ficar. A música está tão moderna que hoje é normal encontrar produções que englobam todos os estilos numa so musica: eletro-house-tribal-vocal. Estamos novamente numa época vocal. O DJ que não percebeu isso e fica tocando só tum-tum-tum está perdendo espaço e não tem agradado muito. O Silver The Pub, está mais maduro e já não gosta tanto de gritarias e sim de vocais melódicos e também de house progressivo. Mas essa transição aconteceu com o Silver D!sel. Foi durante minha residência na boate D!sel, que tive mais liberdade pra tocar e misturar estilos .

O Confessionário: Não deve ter sido um caminho muito fácil, conte-nos sobre as dificuldades encontradas

Silver: E não foi mesmo!!!  Perguntam pra mim: “Vc tem saudades do Jump?” E eu respondo: de forma nenhuma. O Jump foi meu inicio de carreira, minha escola e popularizou o Silver mas, também foi o local que enfrentei mais adversidades e loucuras. Lá, já toquei chorando, já abandonei cabine, já fui obrigado a tocar muita coisa trash, já toquei com som estragado, já me estressei em excesso… Mas creio que começos são difícies para todos em todas as áreas. Existem alguns que dão força e apoio e muitos que torcem para o seu fracasso. Gente para te derrubar é o que não falta… Mas também creio que através de esforço, dedicação e determinação a gente consegue o que quer.

O Confessionário: Há muitas pedras no caminho, como colegas de profissão, donos de clubes, público, ou você sempre teve sorte?

Silver: Não acho que seja sorte e sim uma questão comportamental. Ao aceitar uma residência, o DJ tem que se adequar ao estilo da casa, estilo esse que vem acoplado a visão do dono da casa. Existem donos e donos mas, apesar das diferentes formas de pensamento e alguns desentendimentos a coisa flui. Não vou expor aqui meus relacionamentos com antigos patrões porque não vem ao caso, mas posso dizer que com os atuais eu tenho prazer em trabalhar, pois ambos são ótimos para mim e até pacientes, porque tenho um geniozinho terrível.// É comum do ser humano, não gostar apenas por não gostar, sem razão aparente, então eu sei que tem pessoas que não me suportam. Outros, após conversarem comigo tiram toda a má impressão. Mas eu posso dizer com todas as letras que em relação a publico, eu ganhei na mega sena. Todos os dias o Silver me dá a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas maravilhosas e eu atoronnn isso, rs. // Quanto aos colegas de profissão, procuro me dar bem com todos na medida do possível. Alguns conversam demais e vivem falando abobrinhas que chegam atá mim e às vezes me tiram do sério, mas    logo passa, afinal não sou eu quem está procurando espaço e afirmação. Com esses, eu mantenho um relacionamento a distância mesmo. Mas também tem os que são os meus tops DJs: Allan Pércio, Érica Lins, Frann, Laurize e Leanh. São meus amigos pessoais, ótimos profissionais, me respeitam e fazem toda a diferença quando  estou na noite apenas me divertindo.

O Confessionário: Sobre seu estilo musical, você toca o que gosta, ou tem que tocar um estilo pré-determinado? Afinal, qual é o estilo Dj Silver?

Silver: Conforme disse na resposta anterior , a residência faz com que o DJ se adapte ao estilo da casa mas,  essa adaptação vem em primeiro lugar de mim mesmo, porque por exemplo, se o The Pub fosse uma casa de funk, eu não trabalharia lá.  Não digo que seja um estilo pré-determinado, mas sim uma adequação da programação proposta pela casa. Sextas no The Pub, temos o POP TRENDS (tendência pop), ou seja, não cabe na noite tocar um tribal super pesado, cabe tocar tudo que é pop e atual. Então toco o que gosto, dentro que é proposto. Sobre o estilo, acho que essa coisa de rótulos já ficou para trás. A música eletrônica mundial anda muito misturada e dizer que só toco isso ou aquilo não combina comigo, porque adoro fazer sets com vários estilos numa so noite. Mas resumindo, tudo tem um berço, então posso dizer que sou um consumidor voraz do house e suas diversas vertentes.

O Confessionário: Você já tocou pra grandes festas, viajou muito pela profissão? Conte-nos um pouco sobre sua história.

Silver: Já toquei em grandes festas aqui em Gyn mesmo e viajei muito pouco. Hoje em dia fazer o que eu fiz no passado é suicido, porque o mercado de DJs e música eletrônica está bastante aberto e todos os meses acontecem diversas grandes e maravilhosas festas. Na profissão DJ, não há tempo para arrependimentos e na época da minha residência Jump, foi me oferecido um cachê para ser exclusivo da casa. Então durante longos 8 anos e meio, optei por ganhar mais e viajar menos. E não me arrependo porque naquela época, acontecia uma ou outra festa boa e não havia ainda esse comercio de DJ’s que há atualmente. Talvez essa minha decisão tenha me prejudicado um pouco mas, estou ai na ativa, trabalhando para quem sabe, mudar um pouco essa história. Há tempo certo para tudo!!!

O Confessionário: O Dj Silver tem algum diferencial para se apresentar?

Silver: Poderia dizer que o diferencial é tocar de cara fechada, mas isso é apenas o meu jeito de ser, assim como as vezes danço na cabine e essa variação depende da energia da noite. Quando toco dias seguidos, tipo sexta e sábado, tento tocar versões diferentes das músicas. Não vejo isso como um diferencial e sim como uma preocupação para que meus sets não fiquem repetitivos. Então a resposta é não. Não tenho um diferencial.

O Confessionário: Você se espelha em algum Dj? Se sim qual? E o que acha de ser comparado aos colegas?

Silver: Tive o DJ Lincoln Turini como parceiro e professor durante meu inicio de carreira mas desde aquela época seguimos estilos diferentes. Então não me espelhei em ninguém, mesmo porque, dos DJs GLS na ativa, sou o mais antigo. Mas, tive bastante influência de Club 69 (Peter Rauhofer), Thunderpuss (Chris Cox & Barry Harris),  Hex Hector, Victor Calderone, Junior Vasquez, Rosabel (Abel Aguilera & Ralphi Rosario), Razor & Guido e Junior Vasquez.// Não gosto de comparações, 1º porque, elas nunca vêem de forma positiva e 2º porque sou adepto da frase: SEJA VOCÊ MESMO!! Acho que há espaço para todos…

O Confessionário: O que você acha fundamental para ter uma boa vibe com o público?

Silver: Essa é uma questão bem pessoal. Quando não estou tocando procuro conversar e me divertir com o público. E assim, eu acabo conhecendo um pouco do público. Se eu tenho uma noite perfeita na cabine, devo isso ao público que correspondeu as minhas idéias. Então para resumir: atitude/segurança da minha parte para desenvolver um bom trabalho e respeito/conhecimento para com o público.

O Confessionário: Tem algum conselho para quem está começando?

Silver: Para a grande maioria que ‘se acha’, nunca tenho nada a dizer, por que existe uma serie de obstáculos, mas eles parecem não ver isso. Afinal quando estão tocando, também fazem parte do público. Para os que realmente são interessados e dedicados: humildade – acima de qualquer coisa e paciência.

O Confessionário: O que não pode faltar no som do Dj Silver?

Silver: Vocais melódicos. Não é sempre mas, de vez em quando, também é ótimo dar uma pinta com algo nada a ver, rs…

O Confessionário: Qual é o atual top 10 do Dj Silver?

(ago-set/09)

01.Danny Verde & Phil Romano Feat Anna Buckley – Express Yourself (Original Mix)

02.Clubzound – In This F. Society (Club Mix)

03.David Guetta Feat Kelly Rowland – When Love Takes Over (Mauro Mozart/Gustavo Scorpio Mixes)

04.Altar Feat Jeanie Tracy – Turn It Out (Altar Original Mix)

05.Ricardo Reyna – Let Me Take You (Milton Channels Mix)

06.Fabricio Lampa – Drums Synths (Original Private Mix)

07.Britney Spears – Radar (Enrry Vocal Mix)

08.Madonna – Celebration (All Mixes)

09.J. Nitti – Sunday Morning (Original Mix)

10.Inphinity – Twist Up (Rich Gior Mix)

O Confessionário tem o prazer de ter feito uma entrevista tão bacana com o nosso Top DJ Silver, agradecemos a você Silver e desejamos todo o sucesso do mundo, pois você merece.

Leonardo Portela  e  Gilvan Oliveira

2 Respostas para “Entrevista com DJ Silver (Residente The Pub)

  1. DJ Silver pode se dizer q é um dos grandes marcos das noites GLS de Goiânia. E sua trajetória de vida um exemplo a seguir! Parabéns. Falar deste menino é algo que me faltam palavras pra dizer oq ele significa para mim. Mas é um grande DJ. Vale apena conferir o trabalho do DJ Silver, pq é excepcional. Adorei a entrevista.

  2. O DJ Silver? Foi o primeiro som que ouvi e é o som que faço questão de continuar ouvindo.

    Ele é Top Top Top DJ. É ele que me tira de casa.

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